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3 de fevereiro de 2026

Crime organizado: o desafio que o Brasil precisa enfrentar com coragem

A segurança pública no Brasil vive um momento decisivo. O que enfrentamos hoje não é apenas criminalidade comum. Estamos diante de organizações estruturadas, profissionalizadas e com capacidade real de desafiar o Estado.

E é preciso dizer com clareza: o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou de ser uma facção comum há muito tempo. Tornou-se um projeto de poder paralelo.

O problema: um Estado fragmentado diante de um crime organizado

O grande erro do Brasil foi tratar o crime organizado como se fosse um conjunto de crimes isolados. Prendemos indivíduos, mas não desestruturamos a organização. Combatemos sintomas, mas não atacamos a raiz.

Hoje, o PCC atua de forma integrada, com comando hierárquico definido, comunicação constante e presença em vários estados e até fora do país. Enquanto isso, o Estado ainda reage de forma fragmentada.

Não há como enfrentar uma organização nacional com estruturas desconectadas.

Como o PCC nasceu e cresceu

O PCC surgiu em 1993, dentro de um presídio em São Paulo, em um ambiente de superlotação, violência e ausência do Estado. Inicialmente, apresentou-se como um grupo de proteção entre presos. Esse discurso foi estratégico e permitiu sua expansão.

Toda grande facção nasce de uma falha estrutural do Estado.

Com o tempo, a organização passou a controlar presídios, impor regras, punir traições e coordenar ações simultâneas fora das unidades prisionais. A partir daí, deixou de ser apenas um grupo criminoso e passou a operar como estrutura organizada de poder.

Em 2006, o Brasil viu a maior demonstração dessa força: centenas de ataques coordenados paralisaram São Paulo. Delegacias, ônibus, policiais e civis foram alvos. A mensagem era clara: o Estado já não detinha sozinho o monopólio da força.

A partir da década de 2010, o foco deixou de ser apenas a violência e passou a ser o lucro. O PCC avançou sobre o tráfico internacional de drogas, consolidou rotas estratégicas, passou a atuar em portos e movimentar bilhões de reais.

Hoje, o crime organizado não é apenas violento. Ele é racional, lucrativo e infiltrado na economia formal, por meio de empresas, transportes, combustíveis, fintechs e fundos de investimento. Existe, inclusive, uma estrutura especializada na blindagem jurídica do patrimônio criminoso.

Estamos diante de um império financeiro ilegal.

As falhas do combate tradicional

O modelo tradicional falhou porque:

Prende indivíduos, mas não desestrutura o comando.
Fortalece facções dentro das prisões.
Ignora o fluxo financeiro.
Atua de forma desarticulada.

Sem atacar a organização como um todo, o ciclo se mantém.

O PCC não é apenas um problema de polícia. É um desafio ao Direito, ao Estado e à democracia.

O que precisa ser feito

Não existe solução simples para um problema complexo. Mas existe um caminho.

Primeiro, precisamos fortalecer institucionalmente o combate ao crime organizado. Defendo a criação do Ministério da Segurança Pública, com orçamento próprio e planejamento estratégico exclusivo. Segurança não pode ser apenas mais uma área dentro de uma estrutura sobrecarregada.

Segundo, é fundamental fortalecer o SUSP — Sistema Único de Segurança Pública. Ele precisa funcionar como uma verdadeira rede nacional de inteligência, integrando Polícia Federal, Polícias Civis, Militares e Guardas Municipais, com compartilhamento imediato de informações e atuação coordenada.

O crime atua de forma nacional. O combate também precisa ser.

Terceiro, precisamos investir em investigação. A Polícia Civil é a espinha dorsal do enfrentamento ao crime organizado. Sem investigadores, não há desarticulação de quadrilhas, não há inteligência, não há bloqueio financeiro.

Em São Paulo, enfrentamos déficit histórico de policiais, envelhecimento do efetivo e sobrecarga. Prender sem investigar mantém o ciclo.

Defendo também o reconhecimento da Guarda Civil Metropolitana como força policial integrada ao sistema, ampliando sua atuação preventiva e colaborativa.

Por fim, é essencial atacar o poder econômico das facções. Isolamento de lideranças, bloqueio financeiro, responsabilização da organização como entidade e integração institucional são medidas que já deram resultado em outros países.

Um passo à frente

O crime organizado se profissionalizou. O Estado precisa responder no mesmo nível.

Com estrutura forte, inteligência integrada e valorização das forças de segurança, é possível enfrentar esse desafio.

Não podemos aceitar que o poder paralelo avance. A segurança pública é a base da democracia. E proteger o cidadão é a missão que sigo cumprindo todos os dias.

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